A arte como recurso psicoterapêutico


A arte como terapia tem sido usada por muitos psicólogos como recurso terapêutico em sua prática clínica. Esta técnica é conhecida como arteterapia, mas diferentemente das expressões com fins artísticos, esta não se preocupa com a estética, e sim com o conteúdo pessoal implícito em cada produção. Ao trabalhar com materiais plásticos o cliente tem a possibilidade de experimentar novas criações. Este fato mobiliza sua psique de tal forma que ele pode tomar um maior conhecimento de si mesmo buscando novas representações que proporcionarão novas experiências em sua vida, fazendo com que ele seja sujeito ativo de sua própria existência e como consequência, promover a sua diferenciação da coletividade através da sua mais pura expressão.

A arteterapia é um processo desprovido de questões de ordem estéticas, técnica, acadêmica, comercial ou religiosa. Ela facilita e promove a comunicação verbal e não verbal, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A arteterapia pode ser desenvolvida através de modalidades expressivas como desenho, pintura, modelagem, recorte e colagem, gravura, construção, dramatização, criação de personagem, caixa de areia, música, dança e contagem de histórias.

Como exemplo de um atendimento usando esta técnica apresentarei o recorte de um caso clínico. Recebi uma menina de 9 anos que era agressiva em todas as atividades do seu cotidiano. Em seu atendimento apresentei os materiais plásticos que poderíamos usar e ela interessou-se imediatamente pela tinta. Ao usá-la sobre o papel algumas características foram observadas imediatamente. A agressividade apareceu no manejo das tintas ao mesmo tempo em que surgiu a falta de limites. Seus trabalhos extrapolavam o limite do papel, escorrendo pela mesa e muitas vezes sujando a sua roupa. Por várias sessões trabalhou desta forma, no entanto nestes momentos sempre conversava sobre o medo que sentia da chuva, pois sua casa havia alagado no último temporal. A água não havia respeitado os limites de sua casa e sua proteção fora violada a deixando com medo e agressiva. A tinta, como material líquido, a ajudava a entrar em contato com esta enchente e com o seu medo. Devemos levar em consideração que as águas de uma enchente são sujas, escuras e cheias de objetos que foram arrastados. Em seus trabalhos, sem perceber, costumava misturar as tintas na busca de uma cor escura e ainda acrescentava alguns objetos tentando chegar a uma representação ideal. Depois de três meses começou a perceber o limite do papel e a ter mais cuidado com o manejo da tinta. Na sequência ocorreu um novo alagamento em sua casa e ela teve a oportunidade de relatar o quanto foi corajosa ajudando a sua família e salvando a cachorrinha, concomitantemente a este fato sua agressividade cotidiana diminuía visivelmente.

Podemos observar que a criação, através da arte, sempre estará carregada da subjetividade de quem se submete a este trabalho, expressando-se através das imagens que surgem em sua confecção. Por todos estes aspectos a arte como terapia será sempre bem vinda ao setting terapêutico como recurso no trabalho com crianças, jovens, adultos e idosos.

Psicóloga Marisa Gaspar

CRP 05/33597

www.praxisanalitica.com

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Marisa de Araujo Gaspar (CRP 05/33597)

 

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